pra fora
antes que eu morra
pra fora
porque voltei a escrever
eu não quero escrever
quero passar pela vida
sem o peso da literatura
só escrevo quando inundo
por dentro
pra fora
vai embora antes que
eu cancele as passagens
e peça demissão por justa causa
antes que a mobília seja comprada
nas cores do teu cabelo
pode ir sem dó
vai, corre, foge, rasga
voa, plana, sobe, some
pra fora de mim
que já estou ao avesso
órgãos à mostra
pele escondida
alma pra fora
boca perdida
e se na rima
preferires ficar
acalma-te em cima
de mim, teu lugar.
pra flora.
terça-feira, 26 de abril de 2016
quarta-feira, 20 de abril de 2016
Vida que bate.
enche-me de sal
pois teu mar me hidrata
lava-me de sol
e meu campo forrar-se-á
com teus delicados dedos
complicados meios
percorri até te achar
tantos sinais e sinos
assassinos precisei matar
nasci, morri até te achar
numa manhã gelada de julho
naquela noite sem vento e sem cor
quando o silêncio apagou
todas as luzes da casa
e me expulsou a cuspes.
sem pele, fui
sem barba, fui
com medo
com nada
além desse amor em lava
fui
até te ver nua
coberta com as nuvens
da dúvida
nos olhos, a vida
da cidade
o metrô,
as passarelas,
as meninas de fone,
os senhores com fome,
minhas poesias jogadas
em uma praça sem nome,
tuas pupilas, tuas retinas
escrevendo-me teorias
hipóteses do nosso século
estamos vivos, elas me disseram
e só quando baixei as pálpebras
acreditei enfim
por tudo que respira.
pois teu mar me hidrata
lava-me de sol
e meu campo forrar-se-á
com teus delicados dedos
complicados meios
percorri até te achar
tantos sinais e sinos
assassinos precisei matar
nasci, morri até te achar
numa manhã gelada de julho
naquela noite sem vento e sem cor
quando o silêncio apagou
todas as luzes da casa
e me expulsou a cuspes.
sem pele, fui
sem barba, fui
com medo
com nada
além desse amor em lava
fui
até te ver nua
coberta com as nuvens
da dúvida
nos olhos, a vida
da cidade
o metrô,
as passarelas,
as meninas de fone,
os senhores com fome,
minhas poesias jogadas
em uma praça sem nome,
tuas pupilas, tuas retinas
escrevendo-me teorias
hipóteses do nosso século
estamos vivos, elas me disseram
e só quando baixei as pálpebras
acreditei enfim
por tudo que respira.
sábado, 9 de abril de 2016
Preste atenção: o mundo é um moinho.
Andar a cidade, torcer para o suor expulsar, minar esse desconforto. Acordei contigo do meu lado, senti tua presença pela casa, bailando pela ponta dos pés. Levantei com a impressão de estar incompleto, sem dentes pra sorrir feliz e despreocupado. Me peguei irritadiço, sem prumo, dirigindo pela cidade que, ao teu lado, parecia filme, cenário de livro, o lugar do qual pertencíamos. Hoje quis sair daqui. Sair de mim, principal causador disso tudo. Senti saudade do teu beijo, mas isso você não precisa saber. Porque do tamanho que é tua luz, reverterás esses dias mais obscuros e voltarás a encontrar tua paz que tanto me acalmou. Eu, não sei. Pode ser da vida acostumar. Hoje queria chorar contigo, na tua frente, pedir desculpas, comprar um hambúrguer, cantar duas músicas, fingir que nada, absolutamente nada de doloroso aconteceu e seguir nosso caminho. Talvez amanhã eu lide melhor com tudo isso. Hoje, não.
***
***
estou no meio da estrada.
eu sou a estrada parada
eu sou a curva que some
eu sou o asfalto rachado
eu sou o espelho da humanidade
que ainda tenta encontrar o Grande Mapa
para retrilhar o caminho dos perdidos.
****
Levanta a cabeça. Abre bem os olhos. Encara o medo dentro do olho e não tente mandá-lo embora. Ele que fique. Ele que tente começar a gritar. Ele que bata na minha cara. Faça o que quiser. Eu aguento. Que a minha alma suporta tudo.
segunda-feira, 14 de maio de 2012
fetos.
levei à varanda
a persiana antiga
cor de galho
ainda tuas raízes
teus saguins e folhas
cheiros verdes
levei à varanda
o prédio inteiro no peito
o sono do vizinho no olho
sonhos primeiros
nudezes das almas
e quantos ferrões
arranquei da varanda
os protetores dentários
toalhas manchadas
vieram dois livros
uma passagem
e nosso retrato
arranquei
o orgulho do prédio inteiro
e dormi te esperando
de roupa,
a sorrir.
terça-feira, 24 de abril de 2012
meaning.
nos cigarros
nos aeroportos
na prece sem som
na noite iluminada
nas letras dos grandes
na lucidez de poucos
na vista magnífica
nos pixels despercebidos
na lição do recém-nascido
na paralisia de uma multidão
nas unhas roídas do universo
no balé escorregadio das línguas
eles procuram
o que os entornos
das tuas pupilas
me dizem.
(todo santo dia)
domingo, 4 de dezembro de 2011
Ganido.
Como um louco de suores esparsos
garrafas embrulhadas dentro de si,
atrás das luas atrás dos postes,
estrangulo o apetite que rodeia o prepúcio
entre pernas, almas e cabeças sem fim
serafins e estripadores de cornetas pernetas
tetas, ampulhetas , aquela outra que também rima
que mérito têm as rimas se há dor há dias
passam pesados, elefantes e pianos
a vida no corre-corre estagnado das paixões
e eu centralizando suas faltas de sentido em versos pueris
Whitman, Ginsberg, Borges rindo-se da imaturidade dos caracteres (porque eles tudo leem)
casto de precisão e direcionamentos
leitores, alguns, já marchando para as últimas sílabas
permitidas pela paciência curta
outros, observadores, catando girassol em meio ao lixo
ao excesso de imagens fotografadas por metáforas
que quadro crias, quando sugiro
"nossa ternura em galopes, agitando a frieza do lago
longe dos semáforos, na gangorra de deuses
a fumaça das bocas semi-abertas em colapso
fluindo, fluindo, ao ar, aos nossos espíritos"
imaginaste os corpos
apenas as contrações em demasia
ou também a suavidade de um sentimento
sua própria perversidade
assim me entrego momentaneamente aos olhos-juízes
na única certeza de querer sobressair-me
de fazer brilharem os olhos
daqueles cuja ofuscação faz nascer e cultivas os heróis da humanidade
que nada mais são que
meros pacientes terminais.
garrafas embrulhadas dentro de si,
atrás das luas atrás dos postes,
estrangulo o apetite que rodeia o prepúcio
entre pernas, almas e cabeças sem fim
serafins e estripadores de cornetas pernetas
tetas, ampulhetas , aquela outra que também rima
que mérito têm as rimas se há dor há dias
passam pesados, elefantes e pianos
a vida no corre-corre estagnado das paixões
e eu centralizando suas faltas de sentido em versos pueris
Whitman, Ginsberg, Borges rindo-se da imaturidade dos caracteres (porque eles tudo leem)
casto de precisão e direcionamentos
leitores, alguns, já marchando para as últimas sílabas
permitidas pela paciência curta
outros, observadores, catando girassol em meio ao lixo
ao excesso de imagens fotografadas por metáforas
que quadro crias, quando sugiro
"nossa ternura em galopes, agitando a frieza do lago
longe dos semáforos, na gangorra de deuses
a fumaça das bocas semi-abertas em colapso
fluindo, fluindo, ao ar, aos nossos espíritos"
imaginaste os corpos
apenas as contrações em demasia
ou também a suavidade de um sentimento
sua própria perversidade
assim me entrego momentaneamente aos olhos-juízes
na única certeza de querer sobressair-me
de fazer brilharem os olhos
daqueles cuja ofuscação faz nascer e cultivas os heróis da humanidade
que nada mais são que
meros pacientes terminais.
quinta-feira, 16 de junho de 2011
sobsolo (ou subsolas).
Dentro das águas de tuas olheiras,
que é onde dormem as abraços da cidade,
ressonam facas e baionetas
(são) meus erros em achar
que quando finco semáforos no caminho
é amostra suprema de amor.
Recolher tuas unhas roídas
montar delas mãos
clarear o quadro negro
ser lupa, limpo
anti a lepra que te suga
para longe dos meus antebraços.
Mas segues a vontade dos calcanhares e panturrilhas
ávidos por paisagens inenarráveis
se aventurar
mesmo se, no intermédio, seja necessário pisotear costelas
afastar, aos chutes, polegares
podiam ser os meus (e são)
há mais que pedras.
E depois de amanhã,
quando estiver minha boca
na boca rachada de algum pedaço de chão
onde aterrissarão teus pés
sem o trem de pouso dos aviões?
que é onde dormem as abraços da cidade,
ressonam facas e baionetas
(são) meus erros em achar
que quando finco semáforos no caminho
é amostra suprema de amor.
Recolher tuas unhas roídas
montar delas mãos
clarear o quadro negro
ser lupa, limpo
anti a lepra que te suga
para longe dos meus antebraços.
Mas segues a vontade dos calcanhares e panturrilhas
ávidos por paisagens inenarráveis
se aventurar
mesmo se, no intermédio, seja necessário pisotear costelas
afastar, aos chutes, polegares
podiam ser os meus (e são)
há mais que pedras.
E depois de amanhã,
quando estiver minha boca
na boca rachada de algum pedaço de chão
onde aterrissarão teus pés
sem o trem de pouso dos aviões?
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